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Recentemente, uma de minhas alunas, professora universitária, me contou uma interessante dinâmica de grupo que costuma aplicar em algumas de suas turmas. Ela é chamada de "Dança do Jornal". A atividade consiste em colocar várias folhas de jornal no chão, sendo uma folha a menos do que o número de participantes. Então é ligada uma música, e quando ela é interrompida cada pessoa deve buscar seu lugar sobre uma das folhas. A cada rodada uma nova folha é retirada.
Então você diz: "Ah! Esta é a dança da cadeira!". É assim que a maioria das pessoas realmente reage a esta brincadeira. Por isso, toda vez que alguém não consegue um lugar sobre a folha, a pessoa se retira da atividade. Depois de algumas rodadas a professora pergunta àqueles que se retiraram o porquê de não mais estarem na brincadeira. A resposta é sempre a mesma: "Se eu não conseguir um lugar, estou fora". Estes são preconceitos. As pessoas carregam para suas novas experiências uma série de conhecimentos que não permitem que elas sejam criativas, que pensem de maneira mais ampla. Na "Dança do Jornal" em nenhum momento é colocada uma regra de que aqueles que não conseguirem um lugar no jornal devem sair do jogo. Porém todos agem assim baseado naquilo que trazem em sua bagagem. O problema de agir desta forma, considerando toda uma gama de conhecimentos acumulados, é que, sem que percebamos, nós ditamos todas as ações de nossos dias dentro de limites, sem nos permitir agir de novas maneiras, de forma ousada e inovadora. Por milhares de anos, o homem acreditou que não era possível voar. Este preconceito só foi quebrado quando alguém sonhou com esta possibilidade, e a transformou em algo real. Pouco tempo depois se acreditava que era impossível viajar em uma velocidade superior à do som. Este foi outro preconceito quebrado pela crença de poucos. Agora, não se acredita que seja possível viajar na velocidade da luz. Eu honestamente espero que o mundo tenha muitas pessoas que também não acreditem neste preconceito. É importante frisar que, quando falamos em preconceito neste texto, não nos referimos à discriminação, seja ela social, racial, ou qualquer outra. Aqui, esta palavra indica um conceito criado previamente, antes de realmente sabermos a verdade. Ele representa todas as vezes que fomos ao cinema, pensando que o filme não seria bom; todas as vezes que começamos a ler um livro, achando que não iríamos entender nada. Pior do que isso, ele representa todas as vezes que acreditamos que não seríamos capazes de fazer algo, e realmente falhamos. Eu já comentei nesta coluna que Henry Ford costumava dizer que se você acredita que pode, ou acredita que não pode, de qualquer jeito você está certo. Hoje em dia muitas pessoas estão desempregadas, batalhando por uma chance no mercado. Nossos preconceitos nos dizem que é muito difícil conseguir uma vaga, e que nossas chances são muito pequenas. Por isso cada nova entrevista que enfrentamos é cercada pela crença de que não vamos conseguir. O resultado é que não conseguimos mesmo. Abandone seus preconceitos. Esqueça tudo aquilo o que parece certo. Encare sua vida como a "Dança do Jornal", como uma nova brincadeira onde as regras que assumimos como verdadeiras já não mais se aplicam. Seja criativo, seja ousado, seja confiante: estes são os caminhos do sucesso. Para que eles possam estar presentes em sua vida, você precisa aprender a pensar além dos limites predeterminados por suas experiências e por seus próprios medos. |