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Em qualquer um dos meus cursos de oratória, percebo que os alunos com maior dificuldade são aqueles que não acreditam ter capacidade para falar bem; aqueles que entram na sala de cabeça baixa, esperando falhar. Se você quer ser bem sucedido como orador ou em qualquer outra área de sua vida levante a cabeça e enfrente as barreiras que você mesmo coloca em seu caminho, aquelas barreiras imagináveis que nós mesmos inventamos. Desta forma eu garanto que fica muito mais fácil romper os verdadeiros obstáculos que se colocam à nossa frente. É preciso boa vontade para crescer. Não existe nada mais importante do que romper as suas próprias barreiras, vencer as resistências que você mesmo cria e que impedem o seu desenvolvimento. Isto é verdade para todos nós, pois em um momento ou outro de nossas vidas criamos obstáculos pessoais que nos impedem de alcançarmos nossos objetivos. O problema é que nunca percebemos que a culpa é nossa.
Certa vez, em um curso que freqüentei, foi realizada uma dinâmica muito interessante. Os 20 alunos foram divididos em três grupos. Duas cadeiras foram colocadas lado a lado, cada uma com uma pequena cesta de lixo (vazia) sobre ela. A quatro metros de distância, nosso professor marcou uma linha no chão usando fita crepe. Em posse de uma dúzia de bolas, pouco maiores que as de tênis, os grupos receberam as instruções: - Um dos membros deveria arremessar as bolas de modo a colocá-las na cesta. - Este membro não poderia atravessar a linha marcada. - Os outros membros do grupo poderiam ajudar, pegando as bolas que caíssem no chão. - A linha, as cadeiras e as cestas não poderiam ser movidas. Terminadas as instruções, foi determinado que dois grupos participariam de cada vez, e que o vencedor (aquele que colocasse todas as bolas no cesto no menor tempo) competiria com o grupo que estivesse observando. Desta forma, várias rodadas seriam realizadas, até que conseguíssemos alcançar o recorde da prova. Os dois primeiros grupos começaram a atividade. Enquanto os seus representantes arremessavam em direção aos cestos, os outros membros pegavam as bolas que caíam pelo chão e devolviam ao arremessador. Grupo um: vitorioso; tempo: aproximadamente 2 minutos. Chegou a vez do meu grupo competir com o vencedor. Começamos os arremessos e disfarçadamente um dos coletores pegou uma bola no chão e, ao invés de devolvê-la, ele a colocou diretamente no cesto. Protestos surgiram de todos os lados, porém as únicas palavras do professor foram: "eu não disse que vocês não poderiam colocar as bolas diretamente nos cestos". Tendo isto em mente, começamos a jogar as bolas para alunos que ficavam atrás de cada cadeira e que então colocavam as bolas no cesto. Grupo um: vitorioso novamente; tempo: pouco menos de um minuto. Sabendo que poderíamos quebrar as regras, rodada depois de rodada começamos a inventar novas maneiras para acelerar o processo de encestar todas as bolas. Conseguimos abaixar o tempo para 30 segundos. Quando achamos que não tínhamos mais como melhorar, o professor nos disse qual era o recorde esperado: 2 segundos. Após alguns momentos de comentários como: "impossível", "não dá", "você está sonhando", "como?", um aluno atravessou a sala e pegou o saco plástico no qual o professor havia levado as bolas. Ele colocou todas as bolas no saco, caminhou até a linha e simplesmente jogou o saco inteiro dentro da cesta. Pronto! Recorde alcançado. Agora, qual foi a moral da história? Em nosso dia a dia agimos com base em nossos preconceitos. Estes "pré-conceitos", ou seja, concepções estabelecidas antes mesmo de enfrentarmos obstáculos, são os responsáveis pela criação das nossas barreiras pessoais. Nessa dinâmica, em um primeiro momento, todos imaginamos que era errado colocar as bolas no cesto sem arremessá-las por trás da linha. Imaginamos que seria desonesto. Em nenhum momento foi dito que era proibido, mas partimos do pré-suposto de que esta era uma regra. Portanto, quando eu disse que nós começamos a quebrar as regras eu utilizei este pré-conceito. A concepção de que estávamos quebrando regras é errada, já que não existiam regras contra o que fizemos. Naquele momento nós quebramos apenas as regras que cada um de nós tinha criado para bloquear os próprios atos, a própria criatividade. Esqueça seus pré-conceitos, suas experiências malsucedidas, e principalmente, as experiências alheias. Não é porque todos falam sobre o quanto é difícil se apresentar em público que você precisa acreditar. É só colocando a mão no fogo que podemos ter certeza de que ele queima. Tenha coragem e desafie aos outros e a si mesmo; você pode se surpreender quando descobrir que muitas vezes o grande incêndio que se interpõe entre nós e o sucesso é apenas fruto de nossa imaginação. |