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Nesta última quinta-feira, um dos alunos do meu curso de oratória me fez uma pergunta muito interessante: "O que faz com que duas pessoas, com a mesma formação, possam se tornar oradores diferentes; um melhor e outro pior?" A resposta é muito simples: o bom orador tem um espelho em casa. Quando eu me apresento em público, sou brincalhão, descontraído e pouco formal, mas não sei ser um palhaço de circo. Existem oradores excelentes que o são, e eu adoro assistir a palestras deste tipo. Porém, eu percebo que não está entre as minhas habilidades a de ser extremamente informal, de me jogar no chão, fazer acrobacias e me dedicar a apresentações totalmente corporais.
Também não consigo me adaptar muito bem a apresentações muito formais. Embora seja mais fácil, para mim, agir em situações assim, eu não me sinto muito bem a respeito deste tipo de postura, e por mais que esta adaptação seja possível, procuro evitá-la. Tenho meu estilo, desenvolvido através de uma combinação de técnicas com anos e anos de prática. No início, me olhei no espelho e percebi quem eu era; quais eram minhas limitações e potenciais a serem explorados. Não me olhei em um espelho qualquer, daqueles que usamos para pentear o cabelo, mas sim um que mostra tudo o que temos por dentro, quem realmente somos, e não o que queremos ser. Com isto em mente, me tornei o apresentador de hoje, coisa que nunca seria capaz se eu tivesse tentado imitar ou copiar o estilo de outras pessoas. Na oratória, você precisa fazer o mesmo. Se você assistiu a uma palestra onde o orador falou por uma hora e meia, citando datas e eventos, sem consultar nenhuma anotação, sinta-se à vontade para tentar o mesmo, contanto que você tenha uma ótima memória. Se o seu poder para se lembrar de dados, especialmente em uma situação de estresse, for limitado, você vai se dar mal. Você vai esquecer informações importantes e ficar mais nervoso com isso. Aí, meu amigo, sua memória vai te deixar na mão cada vez mais, e o que era para ser algo bom, se torna um fracasso. Admito que não gosto e nunca leio poesias. Existem oradores que as usam em seus discursos, belamente. Se eu tentar copiar a idéia vou fazer feio. Em compensação, sou um grande cinéfilo, adoro tanto o cinema que escrevo duas colunas semanais a respeito. Por isso, falo muito sobre filmes em minhas apresentações e chego até a exibir algumas cenas nelas, sempre que for relevante. Por tudo isso, fale sobre o que sabe, utilize suas próprias experiências sempre que precisar falar em público. Desta forma você não tem como errar. Lembre-se de olhar para o espelho da sua alma todos os dias e de dedicar todo o seu potencial a tudo o que é verdadeiramente capaz, pois assim você certamente será o orador melhor. |