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Parece um tanto quanto óbvio falar que o tempo de uma apresentação é um determinante de grande importância na preparação de seu discurso; se eu preciso falar por duas horas, eu tenho que ter mais conteúdo a discutir do que se for falar por trinta minutos, certo? Certo. Porém não é só isso que deve ser considerado no que diz respeito ao tempo disponível para uma apresentação.
Se em uma palestra eu tivesse trinta minutos disponíveis eu teria que falar sobre os elementos mais importantes do assunto da mesma maneira que faria se tivesse 3 horas. Nem sempre ter menos tempo disponível é uma vantagem. Em teoria você precisa saber menos sobre o tema, mas quando você o conhece bem é difícil compactar muita informação em pouco tempo. Neste caso prepare um roteiro consciente de que alguns tópicos que você considera importantes devem ser deixados de fora. É melhor agir desta maneira a tentar cobrir um assunto muito amplo e acabar não conseguindo ser claro, confundindo a platéia.
Ter muito tempo também acaba não sendo uma situação ideal. Primeiro porque você acaba sendo obrigado a abordar uma série de detalhes sobre o assunto apresentado e muitas vezes o público não se interessa por eles. Segundo, porque pode ser extremamente cansativo para uma platéia ter que agüentar horas seguidas ouvindo você falar, por melhor orador que você seja. Em apresentações longas você deve programar intervalos no mínimo a cada 90 minutos. Quando você vai falar por muito tempo, também precisa levar em conta que a apresentação precisa ser mais interativa, contando com a participação da platéia no processo; caso contrário você estará fadado a ter uma sinfonia de roncos como fundo musical.
O ideal é que você mesmo possa definir a duração da apresentação, pois, afinal de contas, é você quem conhece o tema e sabe o que é necessário para abordá-lo. Se não for possível procure sempre se programar para não utilizar todo o tempo disponível, pois se você o fizer, muita gente ficará ansiosa na platéia e isto evita que você possa utilizar o tempo para perguntas com tranqüilidade. Imagine então se você exceder o tempo determinado.
Um último fator que não pode ser ignorado é o horário da apresentação. Tome você mesmo como padrão. Logo nas primeiras horas da manhã você estará acordando e por isso não está pronto para absorver uma pancada de informações de uma vez só. O mesmo tende a acontecer após as refeições; temos uma sensação de preguiça e sonolência que leva algum tempo para se dissipar. À noite o problema tende a ser um pouco pior, especialmente se for após o jantar.
Prefira se apresentar em horários como no meio da manhã ou da tarde; certamente os melhores momentos para contar com um público afiado e alerta. Se você não tiver esta opção, certifique-se de aumentar a carga de humor e a agilidade das informações, desta forma você procura manter o interesse da platéia e conseqüentemente intensifica o retorno da mesma.
Certa vez eu fiz uma palestra em Rio Preto onde precisei falar em uma Sexta-feira à noite, com um tempo programado de três horas. Meu público era composto principalmente de jovens com em média 20 anos de idade. Certamente o que eles mais queriam era ir embora e se preparar para curtir aquela primeira noite do fim de semana. Minha saída foi preparar uma apresentação muito visual, utilizando muitas imagens e uma dinâmica diferenciada. Falei por pouco mais de uma hora e chamei um intervalo. Retornamos e eu já encerrei o dia após uns cinqüenta minutos; para o alívio de muitos.
Após as perguntas e o encerramento recebi vários elogios, entre os principais foram comentários sobre como passou rápido, que o tema era interessante e que eles gostariam de saber mais, inclusive solicitando meu e-mail para contato. Se você quer ser bem sucedido no fator tempo, pare de falar antes do seu público querer parar de ouvir. |