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Nos últimos anos todos nós ouvimos falar da chamada "inclusão". Políticos e governantes utilizam este termo todos os dias como se seus resultados fossem, por si só, uma demonstração de justiça social e consequentemente de um bom governo. Mas o que é realmente a inclusão?
Inclusão tem a ver com todos tendo acesso; todos tendo direito, ou ainda, é a aceitação de todos nos meios que um dia foram restritos a poucos. Apesar da definição política complicada é fácil ver os resultados desta proposta ao nosso redor. A inclusão fica clara principalmente na educação e na saúde. Há alguns anos era quase impossível conseguir vagas para nossos filhos em escolas públicas, hoje em dia - de acordo com o governo - todos aqueles que quiserem estudar tem sua vaga garantida. Na saúde a coisa é ainda mais clara. Alguns anos atrás apenas uma parcela da população, entre eles os que pagavam o chamado INPS, poderia utilizar o serviço público de saúde. Aqueles que estavam desempregados, entre outros, obrigatoriamente deveriam pagar para poder receber atendimento; sendo excluídos da rede pública. Atualmente, qualquer cidadão brasileiro, munido de sua identificação, pode utilizar estes serviços através do SUS (Sistema Único de Saúde). Você leitor, que já precisou de atendimento em um posto de saúde ou precisou enfrentar horas na fila para realmente garantir o estudo dos seus filhos deve estar me odiando agora. Como é que alguém, em sã consciência, pode afirmar que todos têm acesso?! Calma... é justamente aí que eu quero chegar. Inclusão é um termo lindo, porém quando mal-aplicado gera injustiça, e não justiça social. Vamos fazer uma analogia; imagine um casal aguardando a chegada de seu primeiro filho. Em uma situação ideal, durante a gestação são feitos os preparativos: berço, roupas, acessórios e tudo mais. Quando o bebê nasce, a estrutura que o espera representa qualidade de vida. Com a chegada de novos filhos e o crescimento da família essa mesma estrutura aumenta e é progressivamente melhorada. Desta forma, com a melhoria que vem aos poucos, todos podem gozar de uma vida mais tranqüila e confortável. Infelizmente isso não é possível para muitas famílias em nosso país; mas isso é uma outra história... Uma das coisas que ajudam a gerar tanta injustiça social no Brasil é que nosso governo não preparou sua estrutura para incluir novos membros. Na educação e na saúde, realmente houve a inclusão de todos, porém para esta família gigante, formada por todos os brasileiros, não é possível continuar fornecendo a mesma estrutura que mal dava para atender àquele grupo seleto de membros; quanto mais a todos. Imagine uma família com 10 pessoas vivendo em um quartinho mínimo. Pois é, somos milhares de brasileiros para cada leito de hospital, para cada médico mal pago, para cada professor de qualidade, para cada livro fornecido pelo governo. Não adianta incluir, tem que melhorar! Não basta atender a todos prestando este serviço horrendo que nos está disponível. É preciso investir na qualidade; é preciso contratar, treinar e pagar bem aos profissionais que, esperançosamente, um dia vão nos atender como todos merecemos ser atendidos: com dignidade, respeito e acima de tudo competência. Por tudo isso, fique de olho. Em época de eleição questione e confronte seus candidatos para que suas propostas realmente indiquem melhoria para todos e não somente uma falsa justiça social onde todos são maltratados. |